A CULPA É DO FIDEL


Por Arthur S.M.

Uma adorável reflexão sobre mudanças e decisões. Aos nove anos, Anna vê as mudanças de atitude dos pais após a morte do tio espanhol, pela ditadura de Franco. Mais engajados politicamente por uma transformação social, o cotidiano da família se transforma.

A menina é quem mais resiste à decisão dos pais que, para ela, viraram "comunistas". A reação da personagem expõe quão frágeis são as decisões, por um lado, ao desarmar os adultos com a simplicidade infantil, e poderosas por outro, ao abrir sua compreensão com as novas perspectivas com que pode encarar a vida. A ambientação dos anos 70 reforça isso, já que é uma época em que as mudanças sociais pareciam iminentes e irreversíveis, mas ainda eram apenas primeiros passos frágeis - que acabaram não se consolidando.

Por essa contradição caminha o filme. Em certo momento, a menina se sente deslocada da vida que queria conservar, como na casa dos avós, ou na relação com a amiga, e percebe que a próxima babá estranha pode ser legal, se estiver aberta a experimentar e menos preocupada em achar culpados. O medo da mudança diminui quando se percebe que podemos agüentá-la.

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