A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS


O filme é um retrato sofisticado das emoções em latência por trás das palavras. Num lugar isolado, o silêncio voluntário de uma mulher parcialmente surda é interrompido quando ela se oferece para assistir a um homem acidentado e temporariamente cego. As palavras são a ponte para uma jornada íntima, em que ambos encaram e expõem sofrimentos e segredos.

Com uma interpretação envolvente e sutil, a canadense Sara Polley se confirma como uma das mais competentes de sua geração. Além da protagonista, convivem com a solidão mais sete personagens, construídos com maestria por um elenco multinacional que enriquece a trama numa afinação que pouco se vê no cinema. A acuidade na direção e no roteiro afirmam o talento raro da espanhola Isabel Coixet (Minha Vida sem Mim). Outro ponto forte é a trilha sonora, que potencializa a intensidade e leveza da história - percebe-se a quê veio quando ouvimos Anthony and the Johnsons durante uma tempestade, que marca o desvelo da intimidade dos habitantes do lugar.

A diretora dedica o filme a Inge Genefke (interpretada aqui por Julie Christie), fundadora da IRCT, organização que promove e sustenta a reabilitação de vítimas de tortura e que previne esta prática no mundo todo. Os irmãos Agustín e Pedro Almodóvar são co-produtores deste, que considero um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Humano, inteligente e sem clichês. Grata surpresa.



5 comentários:

Anacris disse...

Quanta beleza, quanta doçura, quanto bom humor e quanto calor humano para ilustrar uma história tão triste, tão dura, tão marcada pela covardia e pela maldade humanda. O amor é mesmo a solução para as dores do mundo.

Anônimo disse...

Tem coisa mais bonitinha nesse mundo do que ela cantando La dolce vita pra ele? Ahhhhhh...

Murilo disse...

Cara, e quando ele fala na "Senhorita Cora" quem leu o Cortazar, nos anos 70, entendeu toda a delicadeza que a diretora quiz imprimir no filme.Demais!!!Tudo é lindo, singelo e triste e acima de tudo, lindo! Os atores..tão difícil ver um filme falado em inglês com tanta leveza.Viva o cinema independente!

NADA disse...

infelizmente no entendo de filmes, porém de amigo entendo.
Quero deixar aqui registrado a admiração e o carinho q sinto pelo Fábio.
Pow, ja faz muitos anos heim e o legal é q nossa amizade continuou.
Sempre criativo, inovador e antenado em tudo q está acontecendo.
Hoje e sempre meus parabéns.

Um abração

Amaury

Manuzinha disse...

Esse filme, é uma raridade, é daqueles que prova e comprova que cinema é arte, pois toca no fundo da alma...
As palavras têm um poder infinito de encantamento e transformação